As Meninas do Sergio
Tenho revirado a memória de mamãe. Hoje falamos do Sergio.
Este menino apareceu lá em casa, morávamos em Funil distrito de Cambuci, eu não sei como, eu era muito pequena e ela também não.
Sergio era um molecote franzino de uns 8, 9 anos feio que nem a mãe da peste. Era cria da casa como se dizia, ou seja, fazia de tudo, tratava dos porcos, das galinhas, cuidava das crianças, corria a dar um recado e até arrumava cozinha uma vez ou outra.
O interessante que dormia debaixo da mesa da copa e o moleque não se controlava de noite e fazia xixi na esteira. Sim na esteira, porque colchão era de capim e caro pra daná.
Minha mãe ficava brava demais...todo noite uma após outra o danadinho encharcava a esteira. E ela avisava, achava que era sem vergonhice. E em um belo dia de sol o moleque custou a levantar já com medo da bronca. Quando ela viu ele todo mijado fez ele ficar o dia todo deitado no mijo, sem comer, sem beber. Papai teve que interferir e tudo acabou bem, mas nem assim ele aprendeu a lição . E nem podia. né?
Este fato ela não lembrou muito bem...rsrs
Ela lembrou que minha irmã caçula que tinha 1 ano e meio ficava o dia inteiro na cacunda dele e davam grandes risadas. Parecia um bichinho preguiça com seu filhote.
Outro fato que lembrou foi que uma vez ela procurou pelas filhas e o danadinho, nos achou perto do portão. Ele segurava uma faca, que pegou da cozinha, acreditem, destrinchando um rato. E nós, as meninas do Sergio, adorando aquilo tudo.
Um dia, ou porque estávamos crescendo ou porque quis, ele foi embora das nossas vidas.
Há uns 25 anos ele apareceu na casa da mãe em Itaperuna. Era motorista de caminhão, casado e com 3 filhas, ironia do destino, será que nome delas era Cassia, Luciani e Cristina?
Nunca mais o vimos e ela chorou e disse: porque não ficamos perto das pessoas que amamos? Por onde andará este menino?
Abenção minha mãe
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