Milindres de Madame
Minha mãe sempre foi peão. Trabalhava pra morrer. Lá em casa quem sempre pegou peso, por exemplo,um botijão de gás, foi ela.
Já comeu macaco, cobra, tatu e outros bichos mais.
Sempre foi pé de boi para a vida. Do limão sempre fez uma limonada. Alegre demais, sempre de bom humor.
Pois bem, agora na velhice resolveu ser diferente.
Ainda gosta de trabalhar, mas só gosta de fazer algumas coisas. Outras? Nem pensar
Escolhe comida, descobriu que odeia carne moida "- depois que seu pai morreu nunca mais fiz carne moida" e filé de frango " - que carne dura e sem gosto". Ou ainda "- eu não comi isso ontem, hoje não quero".
E deu pra reclamar de tudo. Do tempo se está frio ou quente. Das dores se sente uma coisica de nada. Faz caras e bocas..."- ui ai..com dói minhas costas, o joelho e os braços"
Ou ainda "- vou parar com a fisioterapeuta, já gastei muito dinheiro com ela. Não está adiantando de nada"
Nunca quer comer sozinha, se estou ocupada e sem fome ela exige a minha presença.
É, pois é, minha mãe está cheia de melindres.
Abenção minha mãe.
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